Conheça IRonnyC, artista queer não-binária que vai te mostrar como se valorizar

IRonnyC chegou para te mostrar como se valorizar e falar “Fica Com Deus” para aquela pessoa lixo que não te merece.

Moradora de São João do Meriti, município da baixa fluminense, a artista queer não-binária abandonou o curso de Comunicação Social para se dedicar à sua própria arte, “joguei tudo para o alto, hoje dou aulas de dança em escolas e academias e me dedico ao IRonnyC”.

Com uma mistura contagiante de pop e funk, IRonnyC, atualmente com 29 anos, se lança no mercado fonográfico com o single “Fica Com Deus”. “A ideia da sonoridade era unir o ‘passinho’ e o ‘vogue’. Um som que flua perfeitamente entre esses dois mundos”, comenta a artista.

A faixa autoral conta com produção musical do DJ Kill the Party e do DJ Seduty, uma das atuais referências nas ‘batalhas de passinho’, produzindo e propagando vários eventos deste tipo nas comunidades do Rio de Janeiro.

“Fica Com Deus” chegou às plataformas digitais no final de abril e já tem reverberado em diferentes cantos do país, conquistando automaticamente quem ouve a música, incluindo Lia Clarck e Tati Quebra Barraco, que compartilharam a faixa em suas redes sociais.

Conversamos com IRonnyC para conhecer seu mais sobre seu trabalho, confira como foi nosso bate papo:

Por que “IRonnyC”?
Um dia estava ouvindo minhas músicas preferidas e tocou ‘Erotica’, da Madonna, então fiquei com aquela sonoridade do nome música na cabeça. Em seguida, tocou ‘Ironic’, da Alanis Morissette, aí eu juntei tudo e nasceu ‘IRonnyC’.

Apesar do título, “Fica Com Deus” fala sobre empacotamento. O que te fez escrever uma música sobre como se posicionar diante da sociedade?
A letra fala sobre superação, sobre se valorizar e entender que não é errado ser quem você realmente é. A sociedade que engula o preconceito dela.

Foi uma pessoa lixo específica que te motivou a escrever “Fica com Deus”?
Eu compus a letra depois de passar por um turbilhão emocional. Uma relação super tóxica, que um ex sempre tentava me moldar, reclamando do meu cabelo, das minhas roupas. Ele terminou comigo dizendo que eu estava afeminada demais e em menos de duas semanas assumiu namoro com um gay cis.

Escrever essa música foi como uma válvula de escape?
Eu usei a letra pra expulsar tudo o que eu sentia por ele. Entendi que continuar odiando é continuar nutrindo sentimos. Foi aí que decidi “mandar pra Deus”. Pois o oposto do amor é a indiferença.

Pra você, como é se impor e se valorizar diante da nossa sociedade preconceituosa e, por muitas vezes, hipócrita?
Me impor e me valorizar diante da sociedade é um exercício diário que infelizmente pessoas como nós precisamos lidar. Nem sempre estamos com a autoestima boa pra receber as merd@s que o mundo joga em cima da gente. Ser bicha, preta, gorda, afeminada, periférica, feliz e bem resolvida é um ato criminoso pra sociedade. Por isso eu acho importante o fortalecimento da nossa autoconfiança e da nossa coragem. Ter autenticidade e botar a cara na rua sem medo é um ato político. É dizer para o mundo: “Eu tô aqui e vou permanecer quer você queira ou não”.

Como você lida com pessoas lixo? Joga fora ou tenta reciclar?
Boy lixo é o que eu mais encontro. Mas já passei daquela fase de querer e insistir em “reciclar” as pessoas. Hoje eu deixo que as atitudes do @ determinem o que ele será na minha vida. Todo lixo será tratado como tal.

Vem clipe de “Fica Com Deus” por aí?
Estamos com o clipe de Fica Com Deus roteirizado. A ideia era lançar a música com o clipe. Mas, infelizmente, essa pandemia atrapalhou nossos planos. Assim que as recomendações de isolamento forem liberadas nós já iremos iniciar a produção.

Quais seus próximos planos? Tá chegando música nova?
Até o fim desse ano nós vamos lançar mais um single e em 2021 está planejado um EP.

Qual mensagem você gostaria de deixar para as pessoas que estiverem lendo?
Espero poder divertir e emocionar as pessoas com o meu trabalho. Inspirá-las e mostrar que a liberdade é o nosso bem mais precioso. Também gostaria que as pessoas que estiverem lendo lembrassem que devemos ter sempre o conhecimento e a coragem como bons aliados. Não é fácil nadar contra a maré de um mundo padronizado e heteronormativo. Mas sem esses dois ingredientes a gente não faz a diferença e não chega a lugar algum.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e redator colaborador de conteúdos sobre diversidade LGBTI+ do portal Pheeno.com.br! #MandaAssunto