Influenciador gay faz reflexão sobre envelhecer e questiona: “passou dos 30 anos, é daddy?!”

Foto: Reprodução/Instagram

O influenciador digital carioca Dio Verino, de 31 anos, usa sua conta no Instagram para discutir diversas questões do universo LGBTQ+. Em post recente, ele refletiu sobre a supervalorização dos corpos jovens na comunidade gay.

“Além de toda toxicidade conhecida, há também o etarismo – o preconceito com pessoas mais velhas. São inúmeros os relatos de gays que não se sentem desejados por não serem mais tão novos e tentarem compensarem a sua idade virando ‘ratos de academia’ para conquistar os novinhos. Quanta pressão, né?”, conta Dio! A discussão é muito válida e, com autorização do autor, repostamos aqui o texto na íntegra!

“Passou dos 30 anos, é daddy.”

Não são poucos os comentários que recebo de amigos que se sentem desanimados após os 30 anos. Nada com o que se espantar visto que vivemos em um mundo que nos pressiona para sermos bem-sucedidos o quanto antes. Além disso, o que agrava ainda mais é a nossa capacidade de nos compararmos com os outros, com os “casos de sucesso” que vemos nos jornais, nas mídias sociais e na TV. Esquecemos, muitas vezes, que exceção não é regra. Quer dizer, talvez a gente saiba disso, mas queremos ser os mais especiais a todo custo. ⁣⁣
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Quando olhamos para a comunidade gay, há ainda uma supervalorização dos corpos jovens. Além de toda toxicidade conhecida, há também o etarismo – o preconceito com pessoas mais velhas. São inúmeros os relatos de gays que não se sentem desejados por não serem mais tão novos e tentarem compensarem a sua idade virando “ratos de academia” para conquistar os novinhos. Quanta pressão, né? Mas, com calma, tudo se resolve.⁣⁣
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Primeiramente, é interessante notar que a expectativa de vida tem aumentado ao redor do mundo. Logo, se seguirmos essa lógica de nos sentirmos “velhos” aos 30 anos, passaríamos a maior parte das nossas vidas nessa condição? Faz sentido abandonar um livro sem ter escrito pelo menos metade dele? ⁣⁣
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Segundo, penso se não existe uma “adolescência tardia” quando você é LGBTQIA+. Enquanto nossos amigos héteros estavam namorando aos 14 anos, muitos de nós ainda estávamos na fase de entender o que somos e fugindo de bullying. Não é raro que o primeiro beijo gay ou sair do armário venha num momento mais tardio. Então, será que temos que nos cobrar tanto quanto os héteros, se muitas vezes nos é negada a mesma independência sexual e amorosa? ⁣⁣
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Por fim, a melhor coisa que podemos nos dar de presente é a liberdade. Sejamos livres para amarmos que a gente quiser, para sermos felizes com os nossos corpos do jeito que são e com a idade que temos. Nunca diga que é velho demais para algo ou que perdeu a chance da sua vida. Tem tanta gente que fez sucesso após os 40 anos e não temos noção. E sempre bom lembrar que a juventude é passageira, envelhecer é natural, logo, o que importa é não adoecer a nossa mente.⁣⁣

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Não são poucos os comentários que recebo de amigos que se sentem desanimados após os 30 anos. Nada com o que se espantar visto que vivemos em um mundo que nos pressiona para sermos bem-sucedidos o quanto antes. Além disso, o que agrava ainda mais é a nossa capacidade de nos compararmos com os outros, com os “casos de sucesso” que vemos nos jornais, nas mídias sociais e na TV. Esquecemos, muitas vezes, que exceção não é regra. Quer dizer, talvez a gente saiba disso, mas queremos ser os mais especiais a todo custo. ⁣⁣ ⁣⁣ Quando olhamos para a comunidade gay, há ainda uma supervalorização dos corpos jovens. Além de toda toxicidade conhecida, há também o etarismo – o preconceito com pessoas mais velhas. São inúmeros os relatos de gays que não se sentem desejados por não serem mais tão novos e tentarem compensarem a sua idade virando “ratos de academia” para conquistar os novinhos. Quanta pressão, né? Mas, com calma, tudo se resolve.⁣⁣ ⁣⁣ Primeiramente, é interessante notar que a expectativa de vida tem aumentado ao redor do mundo. Logo, se seguirmos essa lógica de nos sentirmos “velhos” aos 30 anos, passaríamos a maior parte das nossas vidas nessa condição? Faz sentido abandonar um livro sem ter escrito pelo menos metade dele? ⁣⁣ ⁣⁣ Segundo, penso se não existe uma “adolescência tardia” quando você é LGBTQIA+. Enquanto nossos amigos héteros estavam namorando aos 14 anos, muitos de nós ainda estávamos na fase de entender o que somos e fugindo de bullying. Não é raro que o primeiro beijo gay ou sair do armário venha num momento mais tardio. Então, será que temos que nos cobrar tanto quanto os héteros, se muitas vezes nos é negada a mesma independência sexual e amorosa? ⁣⁣ ⁣⁣ Por fim, a melhor coisa que podemos nos dar de presente é a liberdade. Sejamos livres para amarmos que a gente quiser, para sermos felizes com os nossos corpos do jeito que são e com a idade que temos. Nunca diga que é velho demais para algo ou que perdeu a chance da sua vida. Tem tanta gente que fez sucesso após os 40 anos e não temos noção. E sempre bom lembrar que a juventude é passageira, envelhecer é natural, logo, o que importa é não adoecer a nossa mente.⁣⁣ ⁣⁣ #gaybrasil #gaysp #blogayra

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Thiago Araujo é editor-chefe e criador do Pheeno! Referência no cenário pop LGBTQIA+ nacional, o carioca de 30 anos é jornalista e empresário do ramo do entretenimento, além de agitar as pistas como DJ mundo afora!