Artistas relembram auge da Banda de Ipanema, que não desfilará no Carnaval 2022: “Todo mundo saía do armário”

Criada em 1964, a Banda de Ipanema não sairá no carnaval de 2022: ” A simples e tão desejada vacinação não credencia ninguém à aglomeração. Todos os cuidados deverão ser mantidos integralmente. Não podemos desfilar enquanto pessoas continuarem morrendo de Covid-19. Vamos esperar pelo carnaval de 2023. Pode ser que até lá, tudo se resolva. Mas, em 2022, a situação ainda será de riscos”, disse Claudio Pinheiro, de 85 anos,  presidente da agremiação, em entrevista ao jornal O Globo.

Artistas como Isabelita Dos Patins e Alexandre Hakan conversaram com exclusividade com o Pheeno. Apesar da tristeza pelo cancelamento, eles revelam que a Banda já não é mais a mesma dos áureos tempos das décadas de 1980/90.

“Era um marco. Tinham pessoas que vinham de outros estados só para esse evento, para ver a gente, o que iríamos fazer. Ficávamos na Praça General Osório dando pinta. Tudo virava notícia. Teve um ano que eu não fui de drag e sim como Michael Jackson logo após sua morte. Foi capa de jornal. Tem muita história, mas depois começou a encher demais, vieram os assaltos e ninguém foi mais”, relembra Alexandre Hakan.

Isabelita dos Patins revela que era tratada como uma rainha quando chegava à Banda de Ipanema. “Antigamente não se chamava drag queen, eram as caricatas. O que eram as caricatas?! Eram homens de bigode, de cara branca, fantasiados de mulher. Era tudo com glamour e amor. De um tempo para cá, acabou tudo isso. Não saio mais na Banda de Ipanema há 4 anos. Sinto pena e muita tristeza”, conta.

“O Albino Pinheiro, criador da Banda, sempre me deu atenção e carinho. Quando o Albino morreu, a Banda morreu com ele”, assume Isabelita.

A veterana drag queen, aos 73 anos, lembra com saudades da época de ouro da Banda. “No começo eram as famílias, depois teve a invasão LGBTQ+! Foram tantas bichas montadas, era a primeira festa do Carnaval. Todo mundo saía do armário. Eram homens, o que for, todos queriam se vestir de mulher”, finaliza. Bons tempos que não voltam mais, né?! Restam as memórias…

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Thiago Araujo é editor-chefe e criador do Pheeno! Referência no cenário pop LGBTQIA+ nacional, o carioca de 30 anos é jornalista e empresário do ramo do entretenimento, além de agitar as pistas como DJ mundo afora!