Passageiro acusa motorista de ônibus de homofobia e agressão em São Paulo

Um passageiro registrou um Boletim de Ocorrência contra um motorista de ônibus da zona norte de São Paulo alegando ter sido vítima de homofobia e agressão na última segunda-feira (12/04). Em um vídeo compartilhado por Kevin Victor de Oliveira Silva, de 20 anos, é possível ver o momento em que o motorista bate no celular do jovem, que registrava o conflito, para que ele parasse de filmar.

Antes da gravação ser interrompida, Kevin afirma que o “motorista está dando um show de homofobia”. Após o episódio, operador de teleatendimento foi ao 87º DP (Vila Pereira Barreto). De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelo jovem, as ofensas por parte do condutor começaram assim que ele entrou no ônibus no ponto da Avenida General Edgar Facó, na Freguesia do Ó. “Esses gays não respeitam mais ninguém. Nem no ônibus a gente tem sossego”, teria dito o motorista ao cobrador, segundo o relato de Kevin à Polícia Civil.

Em entrevista ao G1, Kevin falou que o condutor se incomodou com seu estilo. “Uso cabelos compridos com tranças e roupas curtas. Às vezes, uso unhas postiças coloridas”, disse. “Então para mim ficou claro que ele estava sendo homofóbico comigo, eu estava sendo vítima de homofobia naquele momento”, alegou o rapaz. “Falei: o senhor tem como me respeitar e parar com essa homofobia toda? Aí ele começou a gritar algo e fazer um monte de coisa. Aí nisso eu comecei a gravar.” “Assim que ele deu o tapa no meu celular, veio para a agressão. Me empurrou o rosto contra a porta do ônibus, deu socos, chutes, puxou meus cabelos para arrancar meus apliques”, relatou o jovem. “Os outros passageiros depois apartaram e me colocaram para fora do ônibus”.

Por meio de nota, a SPTrans, que administra as linhas de ônibus na capital, informou ao G1 que repudia atos de violência no transporte público e que encaminhou o vídeo para análise da empresa que opera a linha, para que ela identifique o motorista. “Fiquei em estado de choque. Estou com medo de voltar a andar de ônibus. Já sofri assédio [sexual], mas nunca fui agredido fisicamente, ainda mais uma agressão motivada por homofobia”, desabafou o rapaz. “Será que o motorista agrediria um homem de 2 metros de altura? Eu sou pequeno, franzino e gay”.

A companhia informou ainda que os passageiros podem colaborar com o trabalho de fiscalização, registrando as denúncias no portal SP156 ou ainda por meio do telefone 156.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!