Em SC, professor deixa a cidade após ataques e ameaças por trabalho sobre diversidade em escola

O professor de uma escola municipal de Rio Negrinho, em Santa Catarina, deixou a cidade por medo de ataques após promover uma atividade entre seus alunos, que pintaram as escadas da instituição nas cores do arco-íris.

Segundo informações do portal NSC Total, o professor estava há quatro meses na Escola Henrique Liebl, contratado como educador temporário. Ele, então, sugeriu às três turmas do último ano do ensino fundamental que pensassem num tema para abordar através da arte. Um dos grupos escolheu falar sobre caminhos, outro sobre afeto e um terceiro, diversidade. Este último, pintou escadas com as cores do arco-íris. Além disso, palavras presentes na sigla LGBTQIA+ também foram coladas no local. “Eles (alunos) trouxeram o tema e a ideia, compraram os materiais, mediram cada degrau da escada e, no fim, a última palavra colada era ‘eu sou humano’”, conta o educador ao portal.

Uma foto da intervenção percorreu grupos de aplicativo de mensagem e chegou ao Conselho de Pastores de Rio Negrinho. Em vídeo divulgado por um pastor local, ele chama afirma que a atividade é “uma campanha de incentivo ao movimento LGBT” e pede aos pais que não permitam que professores doutrinem seus filhos “dentro da escola à sua ideologia”. Já o presidente do conselho, pastor Ismael Azevedo da Silva, foi até a Câmara de Vereadores e sugeriu uma intervenção política dentro da escola. O vereador Ineir Miguel Mittmann (PSC), conhecido como Kbelo, atendeu o pedido dos pastores e solicitou à escola dados como plano de aula e diário do professor sob justificativa de “forte preocupação” por um professor “impor o seu pensamento e sua prática de gênero diante de menores inocentes e indefesos“.

Em momento algum eu quis impor algo, muito pelo contrário, a ideia de abordar o tema surgiu dos próprios alunos“, reforça o educador, que entrou com representação no Ministério Público (MPSC) solicitando a abertura de procedimento de investigação sobre possível violação de direito de minoria e crime de homofobia. “É uma turma que tem entre 13 e 14 anos e que viu todo o trabalho por eles preparado ser arrancado, censurado no mesmo dia em que foi feito. Eles estão arrasados“, lamenta. Uma das advogadas do professor, Jéssica Diane Bail explicou que ela e sua equipe juntaram provas das violações que o educador vem sofrendo desde 15 de julho, de cunho homofóbico, principalmente com comentários e vídeos.

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