Travessa do Capão Redondo recebe nome de 1ª diretora trans de escola pública em São Paulo

Educadora da Escola Estadual Santa Rosa de Lima, no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, Paula Beatriz, de 50 anos, agora terá seu nome homenageado em uma travessa localizada na favela do Jardim Mitsutani.

Meu nome fica registrado para sempre, né?”, diz Paula ao Folha de S. Paulo. Com influência dentro da comunidade trans, sua história de vida já foi contada no filme “Meu Corpo Político” e na série documental “Transgente”. A iniciativa de nomear um dos pontos do bairro foi dos próprios moradores envolvidos no Instituto Ação Geral, ONG com atuação esportiva e cultural a fim de melhorar o nível educacional dos jovens na região, em parceria com a Enel, empresa de distribuição de energia elétrica na capital. O objetivo de ambos é que regularizem o terreno onde fica a travessa, localizado na rua Cabeceiras de Basto.

Apesar da homenagem, Paula diz que o país ainda não acolhe pessoas que nem ela. “Enquanto a gente celebrar o nome na travessa, tem gente sendo espancada e morta no Brasil por ser quem é”, completa. Um dos articuladores para a concretização foi o advogado Flávio Moura de Campos. Para ele, ações como essa contribuem na discussão por tirarem as pessoas trans da invisibilidade. “Possibilita que ‘corpos invisíveis’ pelo sistema sejam vistos, ouvidos”, comenta.

Ela [Paula] é uma representante desse grupo de invisibilizadas, de mulheres que só são vistas para serem agredidas, ofendidas e expostas ou objeto e chacota pela sociedade”, continua. “Nós vamos à travessa, às ruas, às montanhas, para os vales. Vamos falar onde a gente quiser e os nomes serão conhecidos”, conclui.

VEJA + NO PHEENO TV

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!