Luísa Marilac acusa hospital particular de São Paulo de transfobia: “Não vou deixar isso barato”

Luisa Marilac denunciou que foi impossibilitada receber internação no Hospital Santa Rita, na zona sul de São Paulo, e que funcionários agiram com transfobia, inclusive a tratando no masculino.

Segundo relato compartilhado pela paciente no Instagram, Marilac deu entrada na unidade hospitalar no sábado (12/03) com dores nos seios e com um quadro de seroma, que é uma complicação que pode surgir no período de pós-operatório, caracterizado pelo acúmulo de líquido abaixo da pele. Ela explica que após apresentar um quadro de dor e febre, foi orientada pelo seu cirurgião, Dr. Thiago Marra, a dar entrada no unidade hospitalar, onde ele estaria prestando o atendimento. “Quando cheguei na recepção, já fui tratada com descaso e sendo referida pelo pronome errado. Expliquei que devo ser referida com ela, pois sou mulher, e eles não quiseram dar entrada nos documentos para minha internação e não apresentaram nenhuma justificativa. Na mesma hora acionei meu médicos, o Dr. Tiago Marra que também percebeu que era um caso de transfobia”, explicou.

Dr. Marra usou as redes sociais para se posicionar e apoiar Luísa. De acordo com ele, a internação só foi liberada após os dois mobilizarem a opinião pública nas redes sociais. “Após realizarmos vários contatos e começarmos a mobilizar a opinião pública sobre o que estava acontecendo, o hospital por fim, após quase 12 horas, e um incalculável desgaste físico e emocional tanto meu quanto da paciente Luísa, decidiu autorizar o processo de internação“, conta o médico.

Já em casa, Luísa afirma que irá entrar com um processo contra o hospital. “Estou bem, estou em casa e com o dreno e não posso fazer muito esforço. Se Deus quiser já deu tudo certo. Vamos processar o hospital sim, eu vou mover uma ação particular e o Dr. Marra também, depois nós vamos mover juntos, então são 3 processos. Eu sou uma trans, só outra travesti vai entender, a gente é forte e resistente, a gente aguenta essas coisas mas dói, machuca… Não vou deixar isso barato”, disse Marilac.

Em nota, o Hospital Santa Rita afirmou não realizar, sob nenhuma forma, tratamento discriminatório, seja por sexo, raça, religião ou outro. “Sobre as acusações de atos discriminatórios, informamos que os fatos estão sendo apurados por meio de sindicância interna“, diz o texto.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!