CE: Mulher trans acusa academia exclusiva para mulheres por transfobia após ser impedida de realizar matrícula

Uma mulher trans relatou que sofreu transfobia em uma academia “exclusivamente feminina” no bairro Pirajá, em Juazeiro do Norte (CE), nessa segunda-feira (30/05). Ao Diário do Nordeste, Jhully Carla de Sousa, de 26 anos, disse ter sido impedida de realizar a matrícula pelo proprietário do local. Um Boletim de Ocorrência foi registrado para apurar o caso.

Fui impedida de fazer a matrícula. Uma funcionária foi orientada a falar que não aceitava na academia pessoas como eu porque é uma academia feminina, e a empresa não tinha preparação para me receber porque as alunas não me aceitavam pela questão da minha genitália. Eu sai arrasada e chorando pela discriminação. Nunca fui impedida de algo por conta de uma genitália“, revelou Jhully ao portal. Ela ainda argumentou que essa não é a primeira vez que o estabelecimento é acusado do crime de transfobia, e que outra mulher transexual também já passou por episódio parecido.

Em conversa com a publicação, o centro de treinamento alegou que o caso “não foi da maneira” relatada pela mulher trans. Segundo a proprietária, quem a atendeu foi uma funcionária que explicou a Jhully o público-alvo do local. “Veio para pedir a uma informação, não chegou nos trajes de malhar. Parece que queria fazer a inscrição. A funcionária disse que era academia feminina. Não sei se a pessoa fez com má intenção“, explica. A empresária diz ainda que “em nenhum momentoJhully conversou com o seu esposo, proprietário da academia. “Longe de mim, preconceito não existe aqui. Até tava falando que futuramente tenho vontade de deixar todo mundo malhar [homens e mulheres] para não ter B.O mais”, finalizou. 

Logo após o ocorrido, a funcionária pública fez um Boletim de Ocorrência com protocolo de preconceito. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que transfobia é um crime enquadrado no artigo 20 da Lei do Racismo (7.716/1989), estando sujeito à punição de um a três anos de prisão, podendo chegar a 5 em casos mais graves. O crime é inafiançável e imprescritível.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!