Demitido por igreja evangélica diz que foi alvo de homofobia; Justiça do Trabalho manda reintegrar

Um ex-funcionário da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias terá que ser reintegrado ao trabalho por decisão da Justiça do Trabalho de São Paulo. O funcionário tinha sido demitido por justa causa por, ter infringido o código de conduta da instituição ao, supostamente, ter cometido infidelidade conjugal.

Para o empregado, porém, a decisão da igreja foi motivada por homofobia. De acordo com o ex-funcionário, que trabalhou para a igreja por 37 anos como comprador, ele já não vivia mais com a mulher desde 2016, quando começou um relacionamento homoafetivo. Na decisão da juíza Caroline Ferreira Ferrari, desta sexta-feira (03/06), ela manda a instituição reintegrar o funcionário provisoriamente devido a impossibilidade dele usar o plano de saúde. Na decisão, em tutela de urgência, ela destaca que ele tem uma cirurgia marcada para 15 de junho, tem mais de 60 anos, já teve câncer e é portador de HIV. A Justiça ainda não avaliou a alegação de ter tido discriminação. 

No processo que move contra a Igreja, ele pede a reversão da demissão e o pagamento dos salários e demais benefícios que deixaram de ser pagos desde o início de abril, quando foi dispensado. Caso a demissão seja mantida, ele quer o cancelamento da justa causa e a liberação das verbas trabalhistas decorrentes da dispensa comum. O ex-funcionário também pede o pagamento de indenização por danos morais de R$ 750 mil, que incluem compensações pelo que considerou uma violação de sua intimidade e vida privada e por dispensa discriminatória.

Em nota à Folha de S. Paulo, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias negou as acusações. “Um funcionário não é demitido devido à sua identidade ou preferência sexual”, diz. De acordo com a instituição, os funcionários assinaram um termo em que aceitavam viver de acordo com as normas da igreja. 

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