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Pessoas LGBTQIA+ no Brasil enfrentam mais desemprego e informalidade do que população geral, aponta Banco Mundial

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Um estudo recente do Banco Mundial joga luz sobre as desigualdades enfrentadas pela população LGBTQIA+ no mercado de trabalho brasileiro. A pesquisa revela que pessoas desse grupo lidam com taxas mais elevadas de desemprego, maior nível de inatividade e presença mais expressiva na informalidade quando comparadas à população em geral. Mais do que números, o levantamento expõe como o preconceito estrutural segue limitando oportunidades e impactando diretamente a vida profissional dessa parcela da sociedade.

Os dados são contundentes: a taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIA+ chega a 15,2%, praticamente o dobro dos 7,7% registrados no restante da população. Já a inatividade atinge 37,4%, frente a 33,4%. No mercado informal, 46% das pessoas LGBTQIA+ estão inseridas, contra 40% da média nacional, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. O estudo, que ouviu 11.231 pessoas em todas as regiões do país ao longo de três meses, também aponta que o trabalho autônomo é realidade para 30% desse público, acima dos 25% observados entre brasileiros em geral.

Além das desigualdades sociais, a exclusão tem um custo econômico expressivo. O levantamento estima que o Brasil deixa de movimentar cerca de R$ 94,4 bilhões por ano devido à marginalização da população LGBTQIA+, valor que representa 0,8% do Produto Interno Bruto. Para Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, os dados reforçam que a pauta não é apenas social, mas estratégica para o desenvolvimento do país, já que a exclusão compromete produtividade, inovação e crescimento econômico.

Dentro das empresas, o cenário também preocupa. O estudo mostra que 7 em cada 10 profissionais LGBTQIA+ deixam de se candidatar a vagas por medo do ambiente corporativo e da falta de segurança psicológica. Entre os que estão empregados, 72,7% relatam já ter sofrido preconceito, e 64% dizem enfrentar discriminação de forma recorrente. Casos vão desde questionamentos constantes sobre a competência, especialmente de pessoas trans, até pressões para esconder a própria identidade. Esse contexto alimenta estresse, ansiedade e até burnout, além de afetar diretamente o desempenho e a permanência dessas pessoas no mercado de trabalho.