Prefeitura de São Paulo inaugura 1º Centro Cultura da Diversidade do Brasil

LGBT também é cultura SIM!

Inaugurou nesta sexta-feira, dia 29/11, o 1ª Centro Cultural da Diversidade do Brasil. A iniciativa foi da Secretaria Municipal da cultura da cidade de São Paulo.

O CCD (Centro Cultural da Diversidade) é o mais novo equipamento cultural da capital paulista. O complexo receberá principalmente atividades relacionadas à temática LGBT e ocupará as instalações do Teatro Décio de Almeida Prado e da Biblioteca Anne Frank, no Itaim-Bibi, zona sul da capital. O projeto é o pioneiro no país, com o objetivo de ampliar e divulgar a diversidade LGBTI+ dentro do campo cultural, um espaço dedicado exclusivamente com essa proposta.

O Teatro Décio de Almeida conta com 186 lugares, tendo sido inaugurado em 21 de agosto de 2008 e leva o nome de um crítico de teatro, ensaísta e professor, que dirigiu o TUSP – Teatro da USP. A Biblioteca Anne Frank foi a 1ª biblioteca de bairro da cidade de São Paulo, fundada em 25 de janeiro de 1946, inicialmente localizada onde hoje se encontra a Creche Santa Teresa de Jesus. Nessa época era denominada Biblioteca Infantil do Itaim, até que em 1962 passou a se chamar Biblioteca Infantil Anne Frank.

Os aparelhos foram transformados, tanto nas suas estruturas, como na programação e acervo para atender de forma ampla a diversidade, passando por readequação de sinalização de banheiros, pintura do espaço, maior número de atrações para esse público e um aumento de acervo de literatura LGBTI+.

O evento ocorre menos de uma semana após o governador João Doria anunciar que o Casarão Franco de Mello, na Avenida Paulista, será cedido ao SESI, em vez de se tornar sede do Museu da Diversidade Sexual, conforme foi anunciado na gestão Geraldo Alckmin durante a Parada LGBT de 2014. O museu funcionava, até então, em um pequeno espaço de exposições dentro da Estação República do Metrô.

A programação de inauguração teve a Feirinha da Diversidade, com marcas autorais, roupas sem gênero, oficinas, entre outras atividades que ocuparam a área externa do CCD com muita arte, música e gastronomia. A compainha de teatro Circo do Asfalto encenou a peça-show Da Percha. Também marcaram presença no o evento de lançamento o Secretário de Cultura de São Paulo, Alê Youssef, além da participação especial da drag Antonia Pethit e das Bahias e Cozinha Mineira.

No novo centro cultural, um dos edifícios do complexo foi parcialmente grafitado com as cores do arco-íris, enquanto a biblioteca ganhou uma estante com livros ligados à temática LGBT. “Parece fundamental que a cidade tenha um espaço dedicado a isso. De forma que a gente possa não apenas manter a programação, que já é tradicional da cidade, de acolhimento, mas manter um espaço inteiramente dedicado a isso”, diz Alê Youssef.

“A gente tem buscado encontrar vocações e temáticas para determinados centros culturais para potencializar algumas áreas e expressões culturais. É uma opção temática, assim como fizemos com o Centro Cultural do Jabaquara, que virou o Centro de Culturas Negras do Jabaquara – Mãe Sylvia de Oxalá, e o Centro Cultural São Paulo, que está totalmente dedicado a uma cultura mais vanguardista. A gente tem a compreensão de que o pertencimento e o vínculo aos equipamentos passa por você entender as oportunidades de aproximação de público e de responder a demandas da sociedade” explica Youssef.

Localizado na Rua Lopes Neto, 206, próximo à estação Cidade Jardim da CTPM, com entrada gratuita, o CCD é considerado um centro cultural porque não limita sua programação somente a uma de museu, vai muito, além disso. Segundo Alê Youssef, o local receberá parte da agenda do Festival Verão sem Censura, em janeiro, com espetáculos considerados “censurados” pelo governo Jair Bolsonaro. “Peças de temática LGBT são das preferidas dos censores do governo federal”. Além disso, também será uma opção de espaço para a programação da Parada LGBTI+.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e redator colaborador de conteúdos sobre diversidade LGBTI+ do portal Pheeno.com.br! #MandaAssunto