Unimed terá que indenizar em R$ 39 mil ex-funcionário chamado de ‘Vera Verão’ por colegas e gestores

A Justiça do Trabalho determinou que a Unimed pague uma indenização por danos morais de R$ 39 mil a um ex-funcionário, vítima de ofensas racistas na empresa. Os ataques aconteceram nos anos de 2017 e 2018, quando Bruno Souza Oliveira, de 40 anos, trabalhava em uma unidade localizada no bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Segundo o ex-funcionário, alguns colegas e os próprios gestores o chamavam constantemente de “Vera Verão“. “Eles me chamavam de Vera Verão todos os dias, eu era humilhado, até montagem fizeram com foto minha em um grupo corporativo da empresa. Zombavam do meu cabelo que sempre usei raspado. Até em grandes reuniões, com pessoas que eu nem conhecia, de fora da empresa, as piadas continuavam. Eles falavam que era brincadeira, mas de brincadeira, não tinha nada“, contou Bruno ao G1. Atualmente trabalhando como corretor de seguros, ele conta que a “gota d´água” foi quando uma das colegas que zombavam dele virou chefe e o demitiu. “Quando uma das pessoas que me zoavam virou chefe e me demitiu, eu senti que precisava fazer algo“.

No dia da demissão fui bem claro e expliquei que estava ferido com o que estava acontecendo, mas ninguém me apoiou. A gestora disse ainda que eu ia me queimar no mercado se fizesse alguma coisa. Saí de lá e fiz um boletim de ocorrência contra as pessoas e pouco tempo depois acionei a Justiça“, contou. Na decisão, o juiz Rodrigo Candido de Carvalho, da 34ª Vara do Trabalho, destacou o racismo estrutural presente no país. “Nada importa o que cada testemunha acha ou não da brincadeira; nada importa a cor da pele delas, ou que, na audiência, Bruno fosse o único partícipe de pele negra“, explicou. “Nada importaria, tampouco, se fossem negros os próprios ‘animadores’ da reunião em que Bruno foi referido como índice de ‘Vera Verão’ e ‘Sebastian’: o ‘racismo recreativo’ é uma má prática objetiva, por ser um dos sustentáculos do racismo estrutural vigente em nosso país“.

Em nota, a Unimed disse que “repudia qualquer atitude ou ação que demonstre preconceito de raça ou gênero dentro de seus estabelecimentos“. A respeito da ocorrência registrada em 2018 por Bruno contra outros funcionários da empresa, a Polícia Civil disse que instaurou inquérito para apurar o caso. A investigação segue em andamento.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!