Um cruzeiro voltado ao público LGBTQIA+ teve sua entrada barrada na Turquia após as autoridades do país proibirem que o navio atracasse nos portos de Kuşadası e Istambul. A viagem “De Atenas a Veneza”, organizada pela Atlantis Events a bordo do Scarlet Lady, da Virgin Voyages, parte neste domingo (05) com cerca de 1.900 passageiros, sendo aproximadamente 1.100 norte-americanos — em sua maioria homens gays —, além de turistas do Canadá, Reino Unido e Austrália. Com a decisão do governo turco, o roteiro precisou ser alterado.
Segundo as autoridades, o cruzeiro é “conhecido por comportamentos incompatíveis com o tecido da nossa sociedade e com os nossos valores morais”, argumento usado para negar a autorização de atracação. A justificativa foi duramente criticada por Rich Campbell, presidente e CEO da Atlantis Events. Em entrevista à CNN, ele afirmou que ficou chocado com a decisão. “A justificativa é que se trata de um grupo gay. É muito preocupante quando um país decide que pode escolher quais turistas podem entrar e quais não podem”, declarou. Campbell também destacou que, em 36 anos de atuação da empresa, esta foi a primeira vez que uma viagem da Atlantis teve sua entrada negada em um país por causa do perfil de seus passageiros.
A medida também afetou a tradicional boate LGBTQIA+ Tek Yön, em Istambul, que foi fechada pelas autoridades após publicar nas redes sociais um convite para que os passageiros do cruzeiro visitassem o local durante a passagem pela cidade. Um veículo de imprensa alinhado ao governo afirmou que a casa estaria promovendo uma “festa ousada em um barco”. A boate negou a acusação e esclareceu que apenas convidava os turistas a conhecerem o espaço. Em nota, o estabelecimento ressaltou que funciona há 18 anos em conformidade com a legislação turca. Mesmo assim, as autoridades alegaram que o local adotava “práticas e transações que violam as normas legais”.
Após a proibição, a Atlantis substituiu as escalas na Turquia por paradas no Cairo, no Egito, e na ilha grega de Creta. O episódio acontece em um contexto de crescente repressão à comunidade LGBTQIA+ no país. Sob o governo do presidente Tayyip Erdoğan, declarações contra pessoas LGBTQIA+ se tornaram cada vez mais frequentes. Em 2023, o presidente classificou essa população como uma das “maiores ameaças à família” e atribuiu à homossexualidade a queda da taxa de natalidade da Turquia. As Paradas do Orgulho estão proibidas em Istambul desde 2015 e, no último fim de semana, ao menos 50 pessoas, entre elas um jornalista, foram detidas ao tentar participar de pequenas manifestações em celebração ao Orgulho LGBTQIA+ na cidade.










