RJ: Grupo teatral faz ‘crowdfunding presencial’ pra quebrar a hipocrisia da família tradicional brasileira

Um soco no estômago, mas com sorriso na boca!

Estrearam, na última sexta feira (31/05), os ensaios abertos da peça Homens de Bem, que inova na maneira de arrecadar fundos para, de fato, poder estreia num teatro convencional. Tentando burlar todas as dificuldades que estamos vivendo nos dias atuais, seja da parte econômica, ou das barreira políticas que nossos governantes estão impondo à frente da cultura, Damiana Guimarães, produtora cultural do Circuito Quilombo – circuito que mapeia espaços alternativos que queiram ser parceiros de projetos teatrais, mostrando o processo criativo de uma peça – surgiu com a ideia de fazer uma espécie de ‘crowdfunding presencial’: os grupos teatrais fazem uma serie limitada de ensaios abertos ao público, onde é cobrada uma entrada mínima de R$15,00 por pessoa (caso alguém queira contribuir com outro valor, é muito bem aceito também). E assim veio a oportunidade de Joaquim Vicente por em cena a peça Homens de Bem, que tem direção e texto do mesmo e também conta com outros 3 textos de Edvard Vasconcellos.

“Homens de Bem” trata sobre os dilemas internos de ‘homens de bens’ contemporâneos, seus estigmas, suas dúvidas e, sobre tudo, sua hipocrisia de não ser capaz de lidar com seus sentimentos instintos mais íntimos e sórdidos, porque precisam mostrar pra uma sociedade igualmente hipócrita o que a sociedade espera que sejam. Um dos textos é baseado numa história real, que aconteceu nos anos 70, mas que se torna atemporal, a medida que ainda vivemos as mesmas questões e problemas desses ‘homens de bem’, principalmente nos dias atuais.

Com um clima de “o mundo já acabou”, de filme noir, a poesia pulsante e latente do autor Edvard Vasconcellos se sobressai. É soturna e com humor. É violenta mais pelas palavras e pelo o que não foi ou não é dito, do que pela violência em si mesma. Embora essa violência esteja lá. Numa crescente, o texto fala sobre a sociedade, a nossa sociedade, nesse momento tão obscuro de agora. É política porque viver e respirar nesse país já é um ato político. É poética porque sem essa poesia a gente não aguentaria o tranco.

O elenco conta com 6 atores (Adriana Albuquerque, Leandro Terra, Marcelo Matos, Marcia Do Valle, Ricardo Lopes e Wesley May), com gêneros e orientações sexuais distintas, com histórias que abordam o encontro de uma tradicional viuvá com a amante travesti de seu falecido marido, ‘homem que era de bem’, onde as duas acabam surpreendendo o público, sob o caixão do defunto; a dificuldade de um ‘homen de bem de família’, em aceitar se relacionar com um travesti de programa; um casal ‘heteronormativo’ que acaba de gozar no primeiro encontro; e um casal homoafetivo que é mantido como refém por um ‘homem de bem armado’. Os ensaios abertos, nesse formato de crowdfunding presencial, acontecerão até o dia 15 de junho, sempre às sextas e sábado, a parti das 19h, no Espaço Montagem (Praça Tiradentes – Centro – RJ).
Fotos: Arthur Morsch

Serviço

Homens de Bem | Crowdfunding presencial pra quebrar a hipocrisia
Sextas e sábados até 15/06, no Espaço Montagem.
Entrada a partir de R$15,00.
Rua Pedro I, n7, sl 201.Praça Tiradentes, Centro – RJ. A partir das 19h.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos, designer gráfico, editor de vídeos, dono de concursos drag e o mais novo colaborador para conteúdos sobre diversidade LGBTQIA+ para o portal Pheeno.com.br