Zara paga indenização de mais de R$160.000 por discriminar cliente não-binário

Respeito é bom e fundamental!

Após quatro anos de negociações, Zara pagará indenização equivalente a mais de R$160.000 por impedir que cliente não-binário entrasse no provador masculino.

Há alguns anos a marca internacional divulga uma linha de roupas “sem gênero”, criada justamente para não estereotipar as peças, nem quem as veste. Porém, de acordo com Medina (pessoa não binária, vou usar o feminino me referindo à pessoa), escritora e estudante de 33 anos, a experiência dentro das lojas é bem diferente.

Em 2016, Medina estava comprando na seção masculina em uma das lojas da Zara na cidade de Nova Iorque, mas na hora de experimentar as roupas, um dos funcionários a impediu de usar o vestiário masculino.

O atendente disse que Medina não poderia usar o provador masculino, o qual mais se aproximava da sua identidade de gênero, porque ela não é um homem. De acordo com a estudante, isso aconteceu pelo menos mais duas vezes nos próximos meses em diferentes lojas da Zara.

No início, Medina disse que se sentiu com raiva, mas, infelizmente, conforme os incidentes foram se repetindo, ela foi sentindo uma intensa disforia de gênero, além de se sentir invadida por alguém estar determinando a ela um gênero.

“Foi péssimo porque eu estava me sentindo bem em usar roupas de que realmente gosto. Alguém chegou e infringiu a minha privacidade, parecia que meus direitos humanos estavam sendo tirados de mim naquele exato momento, e eu não tinha qualquer controle sobre aquela situação”, disse Medina em entrevista à NBC News.

Medina, que pediu pra seu sobrenome não ser revelado, chegou ao acordo com Zara em março e agora decidiu falar publicamente sobre toda essa situação, com a intenção de aumentar a conscientização sobre o assunto.

A estudante falou que tomou a decisão de entrar em uma ação contra a marca de roupas após conversar com pessoas trans e não-binárias próximas a ela, e elas relatarem problemas semelhantes acontecem o tempo todo em diferentes lojas de roupas.

Divulgação da linha de roupas sem gênero da marca

“Eu estava pensando em todo mundo que poderia ter sofrido, ou ainda estar sofrendo, preconceito. Talvez, se eu fizer algo, isso pode não acontecer com um garoto de 14 anos tentando experimentar roupas. Eu queria que houvesse uma resolução em que eles fossem responsabilizados pela maneira como estão tratando pessoas como eu” desabafou Medina.

Foi assim que ela tomou a decisão de prestar uma queixa à Comissão de Direitos Humanos de Nova Iorque em 2016, que, por sua vez, abriu uma investigação sobre as acusações. Quatro anos depois saiu o veredito e a Zara concordou em pagar a indenização à Medina por danos emocionais.

A marca também se comprometeu a tomar medidas de justiça restaurativa para ajudar a evitar futuras discriminações em suas lojas, nas quais incluem o treinamento de todos os 1.100 funcionários das lojas da Zara na área de Nova Iorque sobre as leis de não discriminação da cidade.

Demoya Gordon, advogada supervisora da comissão que resolveu o caso, disse que a empresa também “publicará avisos para que as pessoas saibam que podem usar as instalações das lojas que mais se adéquem à sua identidade de gênero”, além de estar trabalhando com o Centro LGBT de Nova Iorque para criar “um programa de oportunidades de emprego para pessoas trans e não binárias”.

“Nós nos esforçamos não apenas para obter justiça para o indivíduo que foi impactado, mas também procuramos maneiras de ter um impacto benéfico mais amplo para a comunidade como um todo. Se você não pode usar o banheiro de acordo com sua identidade de gênero, isso realmente reduz sua capacidade de se mover pela sociedade. É realmente uma questão de garantir que todos na cidade possam passar pela vida cotidiana com dignidade e de maneira segura e saudável”, declarou Gordon.

Em comunicado à NBC, um porta-voz da Zara disse que a empresa está “satisfeita” por poder “colaborar com a Comissão e encontrar maneiras de melhorar a experiência de compra de nossos clientes na comunidade trans e não-binária. As recomendações da Comissão estão alinhadas com as medidas que adotamos nos últimos anos para abordar treinamentos, acesso igualitário nas lojas e programas de oportunidades para funcionários, todos focados na comunidade LGBT+”.

O porta-voz também disse que a marca está comprometida em garantir que os clientes, funcionários e as comunidades nas quais a Zara opera “se sintam respeitados, bem-vindos e incluídos”.

Medina se sente muito feliz e satisfeito com as recomendações impostas à marca: “nós só conseguimos melhorar em relação aos atos cometidos no passado, esse me parece ser um passo em direção ao futuro”.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e redator colaborador de conteúdos sobre diversidade LGBTI+ do portal Pheeno.com.br! #MandaAssunto