“Não quero ser só o gay do telejornal”, diz Marcelo Cosme, apresentador da GloboNews

Marcelo Cosme não quer ficar conhecido por “ser só o gay do telejornal”. Foi o que o jornalista afirmou em entrevista à revista Veja. Apresentador do programa “Em Pauta“, da GloboNews, Cosme, que nessa semana supreendeu telespectadores ao revelar que filmes do ator Paulo Gustavo lhe deram coragem para revelar sua sexualidade aos pais, falou sobre temas como levantar bandeira e carreira.

Eu já tinha revelado, no início do ano, que namorava um cardiologista, ao comentar sobre a pandemia. Meu namorado trabalha em uma UTI de coronavírus. Quando falei isso no ar, teve uma grande repercussão nas redes sociais. Mas quando sai do estúdio, ninguém falou absolutamente nada comigo porque isso é muito natural na emissora“, disse o jornalista de 41 anos. “Aqui ninguém é tratado como o gay, o negro, o gordo. Todo mundo é igual. Na nossa equipe temos diversas pessoas homossexuais. Por que meus colegas podem falar que têm esposa, marido e eu não poderia falar que tenho namorado? Enquanto isso chamar a atenção das pessoas, a gente vai precisar falar“, continuou.

Questionado sobre carregar a bandeira de ser um apresentador de telejornal assumidamente gay, o jornalista responde: “Não sou militante da causa LGBT. Mas acho que todo mundo tem o seu papel. Não quero ser só o gay do telejornal. Eu sou o Marcelo, filho, pai, jornalista, gay, vizinho, cunhado, colega de trabalho. Ser gay não é menos ou mais importante de tudo o que eu sou. Mesmo não sendo militante, eu tenho um papel fundamental. Nunca tive referências gays dentro do telejornalismo com apresentadores“.

Ainda na entrevista, Cosme conta que demorou muito tempo para sair do armário, o que ocorreu em 2016, quando ele tinha 38 anos e já era pai de um menino. “Eu tenho um filho de 21 anos que se chama Eduardo. Eu fui pai com 19 anos. O Eduardo já conheceu dois namorados meus. O atual ele só conhece por videoconferência. Meu filho sempre levou tudo isso muito tranquilamente. Sinto que esta nova geração é mais tranquila com relação a isso. Ele nunca teve vergonha do pai ser gay. Ele tem uma namorada que também lida numa boa com isso“, conta.

Eu namorei a mãe do Eduardo ainda na juventude. Depois que me separei dela, eu noivei com outra mulher e me separei também. Foi só com 28 anos que eu tive coragem de ficar com o primeiro homem. Depois disso, ainda levou dez anos até contar para os meus pais, quando eu já tinha 38 anos. Mas só tenho essa vida plena mesmo, de uns dois anos para cá“, concluiu ele.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!