Alunos da UFU criam plataforma para ampliar acesso de trans e travestis a abrigos, saúde e emprego

Estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com o apoio financeiro do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA Brazil), criaram a “Rede TRANSformação”, uma plataforma virtual que tem a missão de difundir informações e ampliar o acesso das pessoas trans e travestis a abrigos, saúde e oportunidades de emprego.

Atualmente, o projeto conta com oito colaboradores, que são orientados por Camila Toffoli, médica e servidora do Hospital de Clínicas (HC/UFU). Laura Borges, que é responsável administrativa e legal do projeto, diz que a escolha do público-alvo parte do entendimento da vulnerabilidade social na saúde, no emprego e nos consequentes resultados dos índices de violência. “Uma palavra que resume o cenário atual para a população trans e travesti nessas três esferas é marginalização”, resume.

Borges comenta que na saúde as pessoas trans e travesti são marginalizadas devido ao preconceito dos próprios profissionais da área, que comumente não sabem tratá-las e, por vezes, não aceitam seu nome social, um direito básico. Já em relação ao emprego a marginalização é ainda mais evidente. “A dificuldade de acesso a empregos pelas pessoas trans e, principalmente, travestis, é a ilustração máxima da incapacidade da sociedade brasileira em aceitá-las como cidadãs e conviver com elas no meio social. O que nos leva à violência: as pessoas trans e travestis não são aceitas na sociedade brasileira e, por isso, são assassinadas, como se suas vidas valessem menos”, ressalta.

As principais ferramentas de divulgação da iniciativa são o site e o Instagram, nos quais os próximos passos da “Rede TRANSformação” estarão centrados na disseminação de informações sobre a saúde trans, por meio de textos, publicações e transmissões ao vivo. Segundo Borges, o projeto pretende continuar ampliando a sua rede de contatos com profissionais da saúde e abrigos, como também com estudantes de outros cursos da UFU, de modo a ser fixado permanentemente e usado como um instrumento de troca com o público. “Carregamos a marca de país que mais mata pessoas trans e nosso governo passa longe de dar a devida atenção a esse grave problema humanitário”, lamenta Borges.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!