Baterista morto nos EUA tem doação de órgãos recusada por ser gay

Sean Reinert, baterista de 48 anos que integrou grandes bandas de metal, como Death e Cynic, teve doação de órgãos negada por conta de sua orientação sexual. A informação foi compartilhada por Tom, marido do baterista, em um texto de desabafo publicado na página do músico no Facebook.

No texto, Tom conta que recebeu uma ligação no mesmo dia para responder perguntas sobre o último desejo de seu marido. No entanto, ao questionarem se o músico era homossexual, a postura da mulher ao outro lado da linha logo mudou. “Após as primeiras perguntas padrões, ela perguntou se Sean era um macho homossexual sexualmente ativo. Sem pensar, respondi ‘sim’ e quase sem perder um segundo ela disse ‘bom, infelizmente isso significa…’ e eu fiquei anestesiado, porque eu sabia o que ela estava prestes a dizer. Ela disse algumas poucas palavras a mais e então eu a interrompi, disse algumas palavras de volta e desliguei o telefone”, contou.

Apesar do motivo da morte não ter sido revelado, Tom ressalta que Sean não era portador do vírus HIV e tampouco de outras doenças sexualmente transmissíveis. “O governo prefere deixar as pessoas esperando por um transplante morrerem do que dar-lhes um dos órgãos de Sean. Como seu marido, isso me deixa enojado e incrivelmente bravo”, finalizou.

Leia o texto na íntegra

“Meu marido Sean era um doador de órgãos. Ele acreditava que quando ele morresse seria ótimo se seus órgãos pudessem ir para alguém em necessidade. Ele era incrivelmente gentil e generoso de todas as maneiras imagináveis, assim como muitos de seus amigos mais próximos estão cientes.

Depois que voltei do hospital na noite em que Sean faleceu, eu recebi uma ligação por volta de uma da manhã. Era de uma pessoa que trabalha com o programa de doações de órgãos no hospital em que Sean faleceu. Eles me notificaram de que Sean foi identificado como um doador de órgãos no banco de dados deles e queriam me perguntar algumas questões para prosseguir. Eu não poderia lidar com esse estresse no momento e perguntei se poderia esperar para falar com eles na manhã seguinte e eles disseram que, embora tempo seja a essência, não teria problema porque existe uma janela de 24 horas para coletar órgãos.

Na manhã seguinte, quando a irmã de Sean, Patti, chegou de Miami, eu expliquei a ela a situação e nós concordamos que se Sean queria doar seus órgãos então nós honraríamos seus desejos. Eu liguei de volta para o pessoal da doação e disse que estava pronto para prosseguir. A moça no telefone disse que isso era ótimo e começou o questionário. Após as primeiras perguntas padrões, ela perguntou se Sean era um macho homossexual sexualmente ativo. Sem pensar, respondi ‘sim’ e quase sem perder um segundo ela disse ‘bom, infelizmente isso significa…’ e eu fiquei anestesiado, porque eu sabia o que ela estava prestes a dizer. Ela disse algumas poucas palavras a mais e então eu a interrompi, disse algumas palavras de volta e desliguei o telefone.

Sean não tinha HIV, ou nenhuma outra DST, para constar. Mas porque ele era um homem gay vivendo na América em 2020 não era permitido que ele realizasse um de seus últimos desejos, doar seus órgãos para ajudar a salvar a vida de outras pessoas. O governo prefere deixar as pessoas esperando por um transplante morrerem do que dar-lhes um dos órgãos de Sean. Como seu marido, isso me deixa enojado e incrivelmente bravo.

-Tom

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!