Primeira travesti a atuar em uma novela brasileira morre aos 66 anos

A atriz Cláudia Celeste, primeira travesti a atuar em novelas no país, morreu na madrugada deste domingo, aos 66 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família nas redes sociais. Segundo amigos, a atriz estava com pneumonia e o quadro se agravou.

Em 1988, a artista foi a primeira travesti a fazer uma novela do início ao fim, “Olho por olho”, na extinta TV Manchete. Em 2016, Claudia foi homenageada na primeira edição do Festival TransArte, evento que trata de identidade de gênero e sexualidade. A atriz era casada com o ator e bailarino Paulo Wagner.

CARREIRA

Carioca de Irajá, Cláudia começou a carreira nos anos 1970, após trabalhar como cabeleireira em Copacabana, Zona Sul da cidade. Seu primeiro grande espetáculo foi “O mundo é das bonecas”, em 1973, no Teatro Rival, na Cinelândia. Produzido por Américo Leal, o show de travestis foi o primeiro a obter uma licença do governo, depois que eles foram banidos pela ditadura militar em 1969.

Em1977, o diretor Daniel Filho assistiu à revista “Transetê no fuetê” e resolveu incorporar um número na novela “Espelho mágico”, da TV Globo, sem saber que Cláudia era travesti. A atriz contracenou com a mocinha Sonia Braga. Sua participação na novela, no entanto, foi cancelada depois que a imprensa celebrou a primeira travesti na TV.

“Antes, ninguém sabia que eu era travesti, nem Daniel Filho. Ninguém nunca me perguntou! E, como ficou muito ti-ti-ti, tiraram os capítulos que eu já tinha feito”, contou a atriz em entrevista à revista “Geni”, em 2013.

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!