Ministério Público investiga homofobia em censura de prefeito a musical com Papai Noel drag no Acre

O Ministério Público Federal (MPF) no Acre, por meio do procurador regional dos Direitos do Cidadão, Lucas Costa Almeida Dias, pediu explicações à Prefeitura de Rio Branco sobre o cancelamento de um musical de natal da cidade, cujo Papai Noel seria uma drag queen. O musical chegou a ser aprovado pela Fundação Garibaldi Brasil (FGB) e receberia uma verba de R$ 15 mil para acontecer, mas foi vetado a pedido do prefeito da cidade, Tião Bocalom (PSL).

Eu não sou homofóbico, mas quero respeito com a nossa cultura cristã. A FGB tem recursos para poder pagar projetos que a sociedade e as organizações montam, a Lei de Incentivo à Cultura. Aí, eles selecionam uma quantidade grande de projetos, e a primeira seleção acabou aparecendo esse projeto aí, do tal do Papai Noel Gay. Papai Noel não é para criança? Como a gente vai ficar falando para as crianças de Papai Noel Gay? Espero que respeitem a minha cultura. Eu sou cristão“, alegou o prefeito. “Quem quiser tomar o rumo que quiser depois de certa idade, problema de cada um. Dentro da prefeitura tem um bocado de gente lá que trabalha com a gente que a gente sabe que são homossexuais, trabalham direitinho, numa boa. Mas são adultos. Vai começar agora a falar em gay para criancinhas que acreditam numa coisa tão simbólica como o Papai Noel?”, completou.

Agora, os procuradores do MPF querem juntar elementos, por meio da solicitação de mais informações enviada à administração municipal, para que uma medida na Justiça seja tomada contra a decisão arbitrária de Bocalom. A Defensoria Pública da União (DPU) no estado também entrou no caso e encaminhou um ofício ao prefeito com recomendações para que ele pare de dar declarações LGBTfóbicas e promover discurso de ódio, assim como parar de disseminar notícias falsas a respeito do musical. O órgão deu ainda um prazo de 10 dias para que o gestor responda se vai ou não acatar a recomendação.

O musical já ocorre em Rio Branco há pelo menos 12 anos. Com um Papai Noel drag queen como protagonista, o espetáculo teria como premissa a inclusão da comunidade LGBTQIA+, além da discussão sobre a importância do uso de preservativos, que seriam distribuídos ao público presente.

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