Unicamp tem primeira pessoa transgênero defendendo doutorado com nome social

Primeira travesti a defender doutorado na Unicamp com seu nome social, Amara Moira, de 33 anos, vê o feito como um passo significativo na longa caminhada contra o preconceito. Ser reconhecida dentro do ambiente acadêmico é uma batalha vencida em meio a “guerra” que pessoas trans travam diariamente com a sociedade. “Foi um indício que a universidade aprendeu a se transformar para que pessoas como eu caibam ali.”

“A gente vai comemorar cada uma dessas vitórias, mas deixar claro que não vamos nos contentar com elas”, avisa. Amara, que é autora do livro “E se eu fosse puta”, defendeu doutorado em teoria e crítica literária e contou em entrevista ao G1 que busca, com ajuda do conhecimento, quebrar barreiras. “Não quero viver em guerra com ninguém. Eu quero que as pessoas se acostumem a estar do meu lado e não a me ver como uma ameaça”, defende.

A escritora reforça que sua luta é para quebrar paradigmas e acabar com rótulos atrelados às pessoas trans. “Não quero que me vejam como um pedaço de carne. Não quero ser assediada o tempo inteiro, mas também não quero ser vista como uma pessoa que vai dar uma facada ou roubar quem quer que seja. Essas são as narrativas que são atreladas a ideia da travesti”.

Contratada como professora de um cursinho online, Amara festejou ter comandado aula para todo o Brasil com quase 4 mil estudantes na noite da última quarta (07/02). “Foi uma experiência marcante, recebi inúmeras mensagens de como a aula foi ‘incrível’, e isso tudo marcou muito”.

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!