O que a expulsão histórica de Sapato e Guimê ensina a nós, gays

Na última quinta, 16, um fato inédito no BBB Brasil chocou o público: dois homens brancos, héteros, famosos, um deles casado, foram expulsos do programa de maior sucesso da TV mundial por terem importunado uma mulher diante das câmeras; em geral, esses homens ganham o benefício do perdão pelo público rapidamente.

Foi com grande comoção que o púbico se dividiu entre “bem feito” e “foi injusto”, mas a situação não é tão rasa, porque historicamente, nós homens (entenda-se por homens cisgêneros gays e héteros), resguardamos traços estruturais de abusadores e nos recusamos a aceitar que isso é parte de nossa cultura.

O gay médio, com privilégios, age com outros gays da mesma forma como héteros agem com mulheres nas baladas, por exemplo. Ele acha que atender a um padrão de beleza dá a ele a carta do poder: festas, saunas, encontro de sexo grupal, relacionamento aberto, todas essas situações são porta de entrada para ultrapassar limites, vide as investidas de Fred Nincácio a Gabriel e as de Gabriel a outros rapazes na casa.

Não obstante todos os problemas envolvendo exposed, por exemplo, é comum ver gays trocando fotos de outras pessoas em app de pegação sem autorização do mesmo, gays reforçando sexo forçado com a frase “se deus fez é porque cabe” e dizendo que pra transar prefere um “cafuçu”, pra namorar prefere um “príncipe”.

Não estamos nem um pouco distante desses héteros e de seus comportamentos abusivos. A gente reproduz heterocisnormativismo em tudo: ativo dominante e passivo submisso, chá revelação de casal gay, exclusão de homens trans dos círculos. Enfim, ou a gente reflete sobre o que queremos ser enquanto parte dissidente do sistema, ou seremos sempre Sapatos e Guimês.

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Bee 40tona

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